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Cataia – conheça a planta que vem conquistando o mundo

Drimys brasiliensis Miers. conhecida como casca d’anta ou cataia é uma Da espécie nativa da floresta da Mata Atlântica. A espécie está presente em vários estados do Brasil: Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. É utilizada para obtenção de madeira, em paisagismo, e com fins medicinais a partir da exploração de plantas em populações naturais.

O nome cataia em tupi-guarani significa“folha que queima”.

Na medicina popular emprega-se infusões da casca, para tratar diversos males, como úlcera, câncer, dores em geral, problemas respiratórios e malária. O chá da casca também é utilizado como estimulante físico e mental. As folhas e casca da árvore são também recomendadas como febrífugas, para tratar afecções das vias urinárias, vermes, inapetência e febre. A espécie também é muito conhecida pelo seu aroma característico devido à presença de óleos essenciais e por apresentar atividade antifúngica, anticonceptiva, antibacteriana e antioxidante.

No Sul de São Paulo é preparada a cachaça de cataia. A bebida parece ter sua origem na Barra de Arapira, uma pequena comunidade de pescadores próxima à Ilha do Cardoso, em São Paulo. A bebida depois de pronta tem teor alcoólico variando entre 20% e 40%.

A caracterização farmacognóstica da planta mostra a presença de flavonóides, taninos e óleo essencial. Em relação ao uso de cataia pelas populações tradicionais do sul de São Paulo, a parte mais usada da planta são as folhas, estas são obtidas no comércio local. Os principais usos para a planta são para acalmar dores de todos os tipos, como antibiótico e em picada de mosquitos.

Estudos científicos comprovam a ação antimicrobiana, antifúngica, anti-inflamatória e antinociceptiva das folhas de cataia. Estas atividades estão relacionadas a compostos presentes no óleo essencial.

A casca das espécies Drimys também conhecida como “casca de Winter” foi descoberta casualmente pelo capitão Winter, um dos tenentes do navegador Sir Francis Drake que foi obrigado a refugiar-se no Estreito de Magalhães para tratar sua tripulação de escorbuto. Um dos nomes populares dados a esta espécie (casca de anta) está relacionado ao uso das cascas da árvore pelas antas (Tapirus americanus) quando estão doentes e daí foi atribuído o nome popular, sendo este mais um fato que torna interessante o estudo desta espécie como complemento no cuidado de animais de produção e de companhia.

A distribuição geográfica, bem como época de coleta pode interferir na quantidade e, às vezes, até mesmo a natureza dos constituintes ativos variando durante o ano ou nas diferentes estações. Assim, já foram relatadas variações sazonais em metabólitos secundários, como óleos essenciais, flavonóides, saponinas, entre outros.

Malheiros et al. (2005), descreveram a atividade antifúngica de extratos e compostos isolados de Drimys brasiliensis, com destaque para o poligodial. Além disso, extratos hexânicos obtidos a partir da casca desta espécie mostraram elevada atividade antiinflamatória.

A planta também pode ser empregado com fins medicinais nos animais e entre as diversas doenças estão as causadas por vírus como, por exemplo, os herpesvírus que causam doenças em bovinos, suínos e equinos.

Casca de Anta ou Cataia

O Laboratório de Biologia Celular, do Centro de P & D de Sanidade Animal do Instituto Biológico, desenvolve pesquisa científica sobre a atividade antiviral de extratos de folhas de Drimys brasiliensis contra herpesvírus animais em parceria com a Profa. Dra. Oriana Aparecida Fávero da Universidade Presbiteriana Mackenzie e colaboração de  Rafael Martins Parreira que obteve bolsa de iniciação científica da FAPESP processo no 2009/01445-0. Extratos brutos de folhas de Drimys brasiliensis em coletas bimestrais, ao longo de um ano, foram estudados em testes de citotoxicidade e atividade antiviral em células infectadas com cada um dos herpesvírus bovino, suíno e equino. O trabalho realizado indica que os extratos das folhas e cascas de Drimys brasiliensis apresentam significativa atividade antiviral contra herpesvírus animal, independente da data de coleta, apontando a espécie como promissora para futuros estudos para confirmá-la como opção de uso medicinal e para complementar os cuidados com animais de produção e consequentemente melhorar a qualidade dos alimentos de origem animal e a saúde pública pela oferta de alimentos nutritivos e sadios.

A Drimys brasiliensis também é conhecida como substituta da pimenta-do-reino e deste modo pode ser também aproveitada como condimento na gastronomia. Assim, esta espécie por apresentar potencial medicinal e culinário existe a possibilidade de exploração em propriedades rurais de agricultores familiares que ainda mantém fragmentos florestais da Mata Atlântica, como comenta Mariot, 2008. A utilização da casca pode ser feita em manejo sustentável de forma a incentivar a conservação da espécie, além de promover a proteção de regiões remanescentes de floresta e proporcionar uma alternativa de renda para a sobrevivência do produtor no campo aliada a outras atividades de agricultura e pecuária.

Árvore de Cataia

Devido ao grande sucesso dessa planta e da cachaça que agradou o paladar de muitos brasileiros e turistas, a exploração vem sendo feita, muitas vezes, de forma criminosa, desrespeitando os tempos de crescimento da cataia. Muitos moradores da região e até pesquisadores estão com medo da extinção. Isso porque o manejo incorreto já transformou drasticamente a capacidade de chegar aos 27 metros ideais, e agora está devastando os arbustos, matando-os em vez de apenas colher as folhas. Na ambição de vender cada vez mais essa cachaça, muitos não veem que no fim, podem ficar sem nada.

Infusão ou chá de cataia

  • Infusão – Coloque água fervente (a quantidade que desejar) por cima das cascas, abafar e deixar por cerca de 15 minutos. Depois, coe e beba.
  • Chá – Cozinhe as cascas com um pouco de água por, em média, dez minutos. Coe, espere amornar e beba.
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