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	<title>Arquivos pesca artesanal - Mais Peruibe</title>
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	<description>Notícias e informações sobre a cidade de Peruíbe, São Paulo.</description>
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		<title>Pescadores e pescadoras artesanais reivindicam novos rumos para a atividade no país</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Dec 2022 17:51:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A urgência em atualizar a Lei da Pesca é questão unânime de Norte a Sul do país Entre agosto e outubro de 2022, 150 lideranças da pesca artesanal, das quatro regiões costeiras do Brasil, reuniram-se para vivenciar uma experiência única: refletir, debater e sugerir aperfeiçoamentos na legislação pesqueira do país, [&#8230;]</p>
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<p>A u<em>rgência em atualizar a Lei da Pesca é questão unânime de Norte a Sul do país</em></p>



<p>Entre agosto e outubro de 2022, 150 lideranças da pesca artesanal, das quatro regiões costeiras do Brasil, reuniram-se para vivenciar uma experiência única: refletir, debater e sugerir aperfeiçoamentos na legislação pesqueira do país, a Lei nº 11.959 &#8211; publicada em 2009, ela apresenta uma série de falhas e lacunas, que demandam uma revisão ampla e profunda. Essa foi a tônica das 10 oficinas do processo para a “Construção Coletiva de uma Nova Política Pesqueira Nacional” que, a partir de uma proposta participativa, escutou pescadores e pescadoras, valorizando suas práticas de trabalho e saberes tradicionais.</p>



<p>O resultado dos encontros, apoiados pela Oceana, determinou cinco eixos de trabalho para a proposição de uma minuta para uma nova legislação pesqueira nacional, a ser consolidada em janeiro de 2023 com as principais lideranças da pesca artesanal, em Brasília. São eles:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Proteção dos territórios pesqueiros da pesca artesanal;</li>



<li>Gestão pesqueira descentralizada, fundamentada em uma perspectiva local/regional no ordenamento da pesca artesanal;</li>



<li>Maior estabilidade do sistema de gestão da pesca, com fóruns de consulta e decisão estabelecidos por força de lei;</li>



<li>Criação de uma entidade administrativa mais estável para a pasta da pesca (instituto de pesca);</li>



<li>Efetiva inclusão das mulheres pescadoras na política pesqueira.</li>
</ol>



<p>“Esse projeto deveria ter acontecido há tempos. Mas nunca houve essa oportunidade. Agora, graças à Oceana, estivemos juntos, trocando ideias com amigos e amigas de vários estados, cada um com sua modalidade de pesca, para construir uma lei mais justa”, avalia o pescador José Frutuoso Góes Filho, mais conhecido como “Zequinha”, de 77 anos de idade e 63 de ofício, representa a Colônia Z-11 e a Federação de Pesca de Santa Catarina.</p>



<p>Essa sensação de pertencimento também encheu de orgulho José Alberto Lima Ribeiro, o “Beto Pescador”, representante da Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas, Povos e Comunidades Tradicionais Extrativistas Costeiras e Marinha (Confrem). Experiente pescador do Ceará, ele ressaltou a necessidade de reconhecer a diversidade regional da pesca no Brasil. “Vejo uma possibilidade real de termos uma lei em que nós, pescadores e pescadoras, sejamos integrantes dela, com vozes de Norte a Sul do país”.</p>



<p>O diretor científico da Oceana, Martin Dias, destaca: “O que mais nos impressionou foi constatar que estamos iniciando um processo histórico. Muitos grupos foram excluídos de processos decisórios e agora podem ajudar a construir políticas que dizem respeito às suas vidas”.</p>



<p><strong>FORÇA REGIONAL</strong></p>



<p>Em todas as regiões, pescadores e pescadoras artesanais destacaram a importância de preservar os saberes e as tradições locais e a urgência de se pensar um modelo de gestão descentralizado.</p>



<p>“Uma das ideias debatidas é a promoção de uma descentralização da pesca mais costeira. Um modelo de gestão focado na criação de acordos locais de pesca, com regras discutidas e aprovadas pelos atores locais. Não há uma fórmula única que se aplique à pesca artesanal brasileira, é preciso que se promova uma maior participação dos pescadores e pescadoras no desenvolvimento de soluções locais para problemas regionais”, considera Martin Dias.</p>



<p>Representantes dos estados do Norte do país reafirmaram que seu ofício está intimamente relacionado à proteção das águas e dos povos originários. Nesse sentido, “Mana” Célia Regina, extrativista costeira marinha de Curuçá, no Pará, explicou: “O que pode unificar as regiões do Brasil, numa proposta mais ousada de soberania alimentar, é reconhecer as especificidades dessas diversidades de pesca do país. É preciso dar garantias de conservação dos biomas e de empoderamento das famílias que vivem ao seu redor. Precisamos considerar quem são os verdadeiros gestores dessas regiões”.</p>



<p><strong>MULHERES NA LIDERANÇA</strong></p>



<p>Em todo o ciclo de debates, a participação feminina foi uma das tônicas que movimentaram as discussões e apontaram necessidades específicas e urgentes a serem balizadas na nova Lei da Pesca. Além de questões de gênero, também foram colocadas a importância de relacioná-las à raça e às gerações que integram toda a cadeia produtiva da pesca (da juventude à maturidade).</p>



<p>Dentre as principais demandas apontadas, destacaram-se a necessidade de inclusão e visibilidade da mulher pescadora; e a importância de atentar e buscar soluções para as doenças ocupacionais, a discriminação de gênero e a dificuldade de acesso aos benefícios que têm direito.</p>



<p>“Esse ciclo de debate foi uma contribuição fundamental da sociedade não governamental. Não estamos substituindo o poder público, mas contribuindo para melhorar a qualidade de vida da nossa comunidade artesanal, cuja Lei da Pesca não foi pensada para nós, pescadores e pescadoras, uma boa parte preta e formada por mulheres. É um encantamento construir essa proposta e pensar no meio ambiente, na relação da pesca com o turismo e nas nossas ancestralidades”, apontou a marisqueira Mariselha Lopes, do Quilombo de Bananeiras (Ilha de Maré/Bahia) e representante do Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP).</p>



<p>Presente em todas as oficinas, a Analista de Campanha da Oceana Míriam Bozzetto testemunhou a especial contribuição das mulheres pescadoras e marisqueiras, muitas em cargos de liderança. “Elas trouxeram as suas demandas específicas para que esse futuro marco regulatório da pesca possa espelhar esse recorte de gênero, além de redimensionar o papel da mulher na pesca”; ressalta.</p>



<p><strong>ESTRUTURA ESTÁVEL</strong></p>



<p>As vozes dos pescadores e pescadoras artesanais solicitam também, com urgência, a criação de uma estrutura administrativa mais estável e dotada de recursos humanos e financeiros.</p>



<p>“Um dos problemas trazidos por pescadores e pescadoras artesanais de todo o Brasil é a dificuldade de se conseguir licenças e carteirinhas de pesca. Esse é um indicativo da falta de estrutura. A pesca precisa ter as mínimas condições de se desenvolver dentro da legalidade”, observa Martin Dias.</p>



<p>Além da oficina com lideranças da pesca artesanal, em Brasília, no final de janeiro, a Oceana vai estender esse processo de construção coletiva e participativa a outros segmentos, especialmente atores da pesca industrial, da academia e da sociedade civil. “Há também a necessidade de se consultar as ONGs ambientalistas e esses outros setores. Uma política efetiva deve buscar este equilíbrio entre uso e conservação dos recursos pesqueiros e dos ecossistemas marinhos”, conclui Dias.</p>
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