Peruíbe – 10 de dezembro de 2025 – Um ciclone extratropical de forte intensidade em formação sobre o Rio Grande do Sul está reorganizando o tempo em boa parte do Brasil e já ajuda a explicar o “forno” desta quarta-feira no Litoral Sul paulista. De acordo com a MetSul Meteorologia, o sistema apresenta pressão atmosférica excepcionalmente baixa, entre 985 e 990 hPa, com trajetória lenta e errática, mantendo condições de risco por vários dias em áreas do Sul, Centro-Oeste e Sudeste do país.
Climatempo e outros serviços de meteorologia também classificam o fenômeno como um ciclone extratropical de forte intensidade, com potencial para gerar ventos muito fortes, chuva localmente volumosa e mar agitado na Região Sul e em parte do Sudeste, incluindo São Paulo.
Calorão em Peruíbe e alerta de vento
Em Peruíbe, a quarta-feira (10) é de tempo abafado e termômetros na casa dos 32 °C, com sensação térmica ainda maior. A previsão de curto prazo indica sequência de dias quentes: máxima perto de 32 °C hoje, repetindo valores semelhantes na quinta e na sexta-feira.
O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) emitiu alertas laranja de vendaval e ventos costeiros para o litoral sul paulista, com rajadas que podem variar de 60 km/h a 100 km/h, destacando risco de queda de árvores, destelhamentos e ressaca.
Esse cenário de calor com vento forte é típico de situações em que um ciclone atua mais ao sul: o ar mais frio é “puxado” em direção ao interior do continente, enquanto o ar quente e úmido do Sudeste é canalizado para a região do sistema, gerando rajadas e mudanças rápidas de nebulosidade.
Fim de semana: sol, aumento de nuvens e pancadas de chuva
Os modelos de previsão indicam que o ciclone deve seguir influenciando o padrão de ventos e de frentes frias nos próximos dias. Para Peruíbe e o Vale do Ribeira, o cenário mais provável hoje é:
- Sexta (12) – Muito calor, períodos de sol e aumento de nuvens, com possibilidade de pancadas isoladas no fim do dia.
- Sábado (13) – Queda de temperatura em comparação aos dias anteriores, com máxima em torno de 24 °C, períodos de chuva e rajadas de vento associadas às bandas ligadas ao ciclone e a uma frente fria.
- Domingo (14) – Tempo abafado novamente, com sol entre nuvens e chuvas fracas a moderadas em pontos isolados, especialmente entre a tarde e a noite.
Alguns serviços, como o Climatempo, apontam para um fim de semana ainda com bastante sol e aumento de nuvens, mas com baixa probabilidade de chuva contínua, reforçando o cenário de pancadas rápidas e irregulares, e não de um “fim de semana de temporal o tempo todo”.
No Vale do Ribeira, boletins locais ressaltam alto risco para ventos fortes e chuva volumosa, com possibilidade de acumulados elevados em cidades como Registro, Iguape e Juquiá. O solo já encharcado aumenta o risco de alagamentos e deslizamentos em áreas de encosta.
Há relação com um possível El Niño neste verão?
A pergunta que muita gente faz é: este ciclone tem a ver com um novo El Niño?
As principais agências meteorológicas indicam que não.
Segundo o INMET, desde setembro de 2025 o Pacífico entrou em um episódio de La Niña fraca, com temperaturas da superfície do mar abaixo da média na região Niño 3.4.
O CPTEC/INPE confirma esse diagnóstico e aponta que, entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, a tendência é de manutenção dessas anomalias negativas, ou seja, La Niña deve seguir atuando no verão 2025/2026.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM/WMO) atribui cerca de 55% de probabilidade à permanência de uma La Niña fraca neste trimestre e considera improvável a formação de El Niño antes do outono/inverno de 2026.
Há estudos recentes indicando a possibilidade de episódios de aquecimento no Pacífico em 2026, com ventos de oeste (“westerly wind bursts”) já começando a ser monitorados por agências como a NOAA. Mas isso é cenário para o ano que vem, não para este verão.
Portanto, o ciclone atual se insere em um contexto de La Niña + aquecimento global, o que favorece contrastes mais fortes de temperatura e um Atlântico Sul mais quente, ambiente que pode intensificar ciclones extratropicais. Estudos sobre ciclones no Atlântico Sul mostram aumento na energia e na frequência de eventos intensos ou “explosivos” nas últimas décadas.
Ciclone, mudanças climáticas e tempestades mais violentas
Climatologistas ouvidos por veículos internacionais e brasileiros reforçam que o que chama atenção hoje não é a existência do ciclone em si, mas sua força, com ventos extremos e impactos crescentes em áreas costeiras.
Na Europa e na América do Norte, estudos recentes mostram tendência de tempestades extratropicais mais destrutivas, como os nor’easters no Atlântico Norte, com aumento de cerca de 20% no potencial de danos em 80 anos – um sinal de que oceanos mais quentes e atmosfera mais úmida favorecem eventos mais fortes.
No Atlântico Sul, pesquisas da USP, INPE e NOAA indicam que os ciclones extratropicais são parte natural da climatologia da região, mas que o aquecimento do oceano e mudanças nos fluxos de calor e umidade tendem a intensificar alguns desses sistemas, aumentando o risco de vento extremo, ressaca e chuva volumosa em faixas costeiras como o Sul e o Sudeste do Brasil.
Verão 2025/2026 no Vale do Ribeira e Litoral Sul
Para o verão que começa oficialmente em 21 de dezembro, a combinação de La Niña fraca + oceano Atlântico aquecido deve trazer um cenário típico, mas mais “intenso”, para o Litoral Sul de São Paulo:
- Temperaturas acima da média em grande parte do estado, segundo projeções do governo paulista e centros de meteorologia regional.
- Chuvas irregulares: períodos de vários dias de sol forte e calorão, intercalados com episódios de chuva intensa em curto espaço de tempo, associados a frentes frias e, eventualmente, ciclones extratropicais mais ao sul.
- Maior atenção para encostas e áreas ribeirinhas do Vale do Ribeira, tradicionalmente vulneráveis a deslizamentos e cheias rápidas.
Ou seja: verão com cara de verão – sol, praia, calor – mas com necessidade redobrada de atenção às janelas de tempo severo, como a que estamos vivendo agora.
Como a população deve se preparar
Enquanto o ciclone segue atuando no Sul e influenciando o tempo por aqui, vale reforçar algumas recomendações:
- Ficar atento às atualizações da Defesa Civil, INMET e dos serviços de meteorologia.
- Afastar-se de árvores, placas e estruturas frágeis durante rajadas fortes de vento.
- Evitar banho de mar em dias de ressaca ou alerta de ondas altas.
- Em áreas de encosta no Vale do Ribeira, observar sinais de instabilidade do terreno (trincas, árvores inclinadas, água barrenta) e acionar imediatamente a Defesa Civil se notar algo diferente.
